quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Crónica de um fim anunciado

Quis o destino que a minha primeira reflexão neste espaço fosse sobre a saída do treinador do Sporting Marcel Keizer, uma saída que já se vinha adivinhando há algum tempo devido a um início de época titubeante com pobres exibições e resultados que resultaram na saída do holandês.

Keizer chegou a Alvalade em Novembro de 2018 proveniente das Arábias para substituir José Peseiro sob alguma desconfiança das hostes leoninas devido ao facto de ser relativamente desconhecido e do seu fraco currículo no qual apenas se destacava o seu trabalho nas camadas jovens de uma das maiores escolas de formação a nível mundial, o Ajax e um curta passagem pelo cargo de treinador principal do mesmo clube. Como ponto positivo, Keizer era visto, à luz da sua nacionalidade, um treinador da escola holandesa vista como uma escola onde se privilegiava o futebol de cariz ofensivo.

A desconfiança inicial deu lugar rapidamente a um entusiasmo contagiante com várias vitórias consecutivas nos primeiros jogos mas também ao futebol atractivo que a equipa apresentava,com muita posse,rápido,dinâmico, uma autêntica lufada de ar fresco no futebol português.

Mas, à medida que os jogos se iam sucedendo, e os adversários do Sporting se iam apercebendo da nossa forma de jogar, o efeito Keizer foi-se perdendo e o holandês de forma errada renunciou à sua ideia de jogo que nunca mais recuperou sucedendo-se algumas derrotas no mês de Janeiro que acabaram por nos custar o campeonato.

Apesar de tudo nas taças internas, o Sporting acabou por ter sucesso vencendo a Taça da Liga e a Taça de Portugal à custa de alguma felicidade,dado que as finais foram ganhas nas grandes penalidades devido à união da equipa e qualidade superlativa do melhor jogador do campeonato passado, Bruno Fernandes.


Marcel Keizer, ex-treinador do Sporting
Posto isto, Keizer partiu para a nova época com confiança renovada do presidente e dos adeptos, devido às suas conquistas mas Keizer nunca conseguiu corresponder às legitimas aspirações dos sportinguistas para nos levar ao tão ansiado titulo.

A decisão de hoje do presidente Frederico Varandas para além de nao me ter surpreendido porque penso que apenas pecou por tardia, estou completamente de acordo com ela. Dá-me a impressão que Keizer nunca interiorizou nem conseguiu perceber totalmente a grandeza do Sporting Clube de Portugal.

Confesso que também eu fui um céptico na altura da sua contratação mas concedo-lhe o beneficio da dúvida o seu trabalho na primeira época em condições muito difíceis e tendo vindo a meio da época e conquistado dois troféus deu a mim e à maioria dos restantes adeptos a confiança necessária  para começar a época seguinte.

A temporada actual iniciou-se de um forma desastrosa com um goleada sofrida frente ao Benfica na Supertaça e vários resultados exibições negativas para o campeonato que puseram a nu as imensas fragilidades de um plantel que nao foi preparado com antecedência e aí não é apenas culpa do treinador, é também da direcção, refém da venda de Bruno Fernandes que acabou por nao se concretizar.

No entanto, Keizer é apesar de tudo, um dos maiores responsáveis pelo insucesso deste inicio de época porque ao fim de toda uma pré-época com um plantel que conhecia na sua esmagadora maioria, não conseguiu até à sua saída impor um sistema de jogo dominante na equipa, foi sempre um treinador passivo no banco que nunca conseguiu motivar a equipa nem dentro, nem fora de campo e mesmo nas conferências de imprensa os seus discursos foram sempre redondos e conformados.

Finalmente hoje Varandas tomou a decisão de prescindir de Keizer e importa agora olhar em frente. Para já, Leonel Pontes, antigo adjunto de Paulo Bento e actual treinador dos sub-23 irá assumir interinamente o cargo de treinador principal esperando que o presidente Frederico Varandas seja mais feliz na escolha do próximo timoneiro dessa sempre difícil e complexa nau leonina.


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